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Humor com humor se paga


À primeira vista pareceu uma brincadeira, depois percebi que era mesmo a sério (notícia do Público). Será possível que a direcção de PS Açores tenha uma visão condescendente da população que governa? Ou será isto apenas humor inocente? Talvez seja. No entanto, apesar de o humor que recorre ao estereótipo e ao lugar-comum ser, com certeza, como todo o humor, permitido, ele é raramente inocente. 

Outras imagens da capanha apareceram em que se substitui a vaca por cestas de ananases, queijos e atum-rabilho.




O presidente do PS, Carlos César, publicou a primeira imagem na sua página do Facebook. Tal como ele, alguns comentadores acharam-lhe graça; outros viram nela um insulto ao povo açoriano. Talvez por isso não demorou a aparecerer quem tenha subido à altura.    


Afinal de contas, humor com humor se paga. De preferência, sem insultos.

Deslocações para férias


Segundo notícia de ontem à noite do Açoriano Oriental, o Secretário da Saúde do Governo Regional dos Açores denuncia que há pessoas a exigir o restabelecimento de ligações aéreas nos Açores para poderem ir de férias. 

Explica que tal se tem vindo a registar depois de o Governo Regional ter autorizado, em casos excepcionais, algumas deslocações, nomeadamente de pessoas que, após terem deixado de estar em vigilância activa em uma ilha, foram autorizadas a regressar à sua ilha de residência.

O pedido de deslocações para férias é um caso típico de: deste ao meu vizinho, também tens de me dar a mim, mas melhor. Ou de: eu cá sinto-me bem. Que quer dizer: não vou contagiar ninguém nem ficar doente.

Aquando da notícia, havia 27 casos confirmados de COVID-19 nos Açores. Hoje, por esta altura, já foram confirmados 33. Os dados da Direcção-Geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde também não sugerem deslocações para férias.

The Code e a cultura popular nos Açores


Há alguns anos (início de 2014?) fui ao lançamento de um livro do amigo Onésimo Teotónio Almeida, Minima Azorica: O Meu Mundo é Deste Reino, na Casa dos Açores, em Lisboa. A apresentação foi feita por Álvaro Laborinho Lúcio, ex-Ministro da República para os Açores, onde nos disse, com razão, que a região tem oferta cultural de interesse e qualidade, mas que é preciso sofisticá-la para que se torne mais apelativa.

É inegável que o produto cultural dos Açores muitas vezes carece de sofisticação, principalmente quando se trata de cultura de cunho popular. Mas nem sempre é assim. Quer se goste ou não se goste de música pop rock, ou mesma desta canção particular, é necessário reconhecer que a banda de rock The Code, da Ilha de S. Miguel, acabou de mostrar que a apresentação apelativa de um produto cutural é possível também nos Açores, onde os meios são, naturalmente, reduzidos.

Parabéns à Marisa Oliveira, ao Félix Medeiros e a toda a equipa.


Um cantinho que prende a gente


Há uns tempos, quando tirava esta fotografia,


O senhor Paulo José peguntou-me, por detrás de mim, do outro lado da estrada:


“Está a tirar fotografias para matar saudades quando for para fora?”
“Estou, sim. Dá-me bastantes saudades.”
“Dá, dá. Isto é um cantinho que prende a gente.”