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Boas notícias


Ontem, no boletim DealBook do NYT. O regresso do transporte público, por agora, tímido, compreensivelmente.

Humor com humor se paga


À primeira vista pareceu uma brincadeira, depois percebi que era mesmo a sério (notícia do Público). Será possível que a direcção de PS Açores tenha uma visão condescendente da população que governa? Ou será isto apenas humor inocente? Talvez seja. No entanto, apesar de o humor que recorre ao estereótipo e ao lugar-comum ser, com certeza, como todo o humor, permitido, ele é raramente inocente. 

Outras imagens da capanha apareceram em que se substitui a vaca por cestas de ananases, queijos e atum-rabilho.




O presidente do PS, Carlos César, publicou a primeira imagem na sua página do Facebook. Tal como ele, alguns comentadores acharam-lhe graça; outros viram nela um insulto ao povo açoriano. Talvez por isso não demorou a aparecerer quem tenha subido à altura.    


Afinal de contas, humor com humor se paga. De preferência, sem insultos.

Grizelda: Grammar Police


Grizelda no The Spectator, 25 de Abril de 2020.

Tráfego aéreo em Março-Abril


Imagens do Observador e AirNav RadarBox.

Metáforas bélicas


Através da comparação dos textos relevantes de imprensa representativa do Reino Unido, EUA e Alemanha, Sylvia Jaworska, num estudo publicado hoje, 13 de Abril, no Viral Discourse, sugere que a retórica bélica relacionada com o COVID-19 é um fenómeno anglo-americano. 

O uso de metáforas bélicas tem maior expressão, primeiro, no Reino Unido e, depois, nos EUA. Mas sendo que o estudo analisou apenas a imprensa publicada entre 7 de Janeiro e 31 de Março, a diferença entre os dois países, sugere Jaworska, pode dar-se devido ao atraso relativo do estado de pandemia nos EUA em relação ao Reino Unido, bem como à letargia inicial do governo americano em lidar com a doença.

Já na Alemanha, o uso de metáforas bélicas para falar da pandemia é comparativamente bastante reduzido; palavras dos domínios da ciência e da comunicação são preferidas. Mas aqui  o menor recurso à linguagem bélica pode ser circunstanciada pelo prurido (aliás justificado) causado na imprensa alemã pela associação desse tipo de linguagem com o regime Nazi.

Uma vez que a linguagem influencia acções, comportamentos e atitudes, o estudo termina com a recomendação das opções linguísticas da imprensa alemã, em detrimento das anglo-americanas, para se lidar mais eficazmente com o vírus. A sugestão faz sentido, especialmente porque, como observa a autora, virtudes bélicas são irrelevantes para travar a epidemia, enquanto o esforço médico, científico e comunicativo mostram-se mais adequados.

No entanto, o estudo é em geral pouco convincente, por várias razões. Primeiro, não é claro que na Alemanha se usariam menos metáforas bélicas no contexto da pandemia se a sua história recente tivesse sido outra. Também não é claro que o uso de certas metáforas (neste caso dos domínios da ciência e da comunicação) tenha fomentado melhores práticas na Alemanha ou que, por outro lado, a verificação de certas práticas tenha contribuído para uma melhor escolha vocabular da imprensa. Por último, o título do artigo promete mais do que aquilo que, na verdade, o estudo nos pode dar. A ideia de que o uso de retórica bélica é um fenómeno anglo-americano não fica provada através de um corpora linguístico tão limitado. Ela será fortalecida (ou não) quando se estudar a retórica relacionada com o COVID-19 em imprensas de outros países para além destes três.    

Na imprensa portuguesa, por exemplo, nomes como "combate", "luta" e "linha da frente" e verbos como "combater", "lutar" e "vencer" são comummente usados para descrever situações e actividades enfrentadas ou desenvolvidas pelas autoridades de justiça, forças de segurança e, sim, por pessoas envolvidas na área da saúde. Para já não falar do discurso político e do futebol, ou na celebrada "guerra das audiências" das televisões. Mas, claro, não fiz nem levantamento nem análise estatística de dados.

Em todo o caso, parece-me que a ideia sugerida por Jaworska é um tanto arriscada.

PS: Depois de escrever este post vi que artigos publicados no Internazionale, nos dias 22 e 30 de Março, mostram que o mesmo fenómeno já havia sido notado na Itália, o que não favorece a proposta de Jaworska.

Deslocações para férias


Segundo notícia de ontem à noite do Açoriano Oriental, o Secretário da Saúde do Governo Regional dos Açores denuncia que há pessoas a exigir o restabelecimento de ligações aéreas nos Açores para poderem ir de férias. 

Explica que tal se tem vindo a registar depois de o Governo Regional ter autorizado, em casos excepcionais, algumas deslocações, nomeadamente de pessoas que, após terem deixado de estar em vigilância activa em uma ilha, foram autorizadas a regressar à sua ilha de residência.

O pedido de deslocações para férias é um caso típico de: deste ao meu vizinho, também tens de me dar a mim, mas melhor. Ou de: eu cá sinto-me bem. Que quer dizer: não vou contagiar ninguém nem ficar doente.

Aquando da notícia, havia 27 casos confirmados de COVID-19 nos Açores. Hoje, por esta altura, já foram confirmados 33. Os dados da Direcção-Geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde também não sugerem deslocações para férias.

Pico do COVID-19 em Portugal


Ministra da Saúde, hoje.

Imagens do estado de emergência, do Observador



Distância social


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Autor: Clay Bennett, na edição de ontem do Chattanooga Times Free Press.


Vírus chinês?



COVID-19: psicologia de massas e o papel higiénico




De Hong Kong a Austrália, Portugal, Reino Unido, EUA, Canadá, etc., a compra desenfreada de papel higiénico provocada pelo pânico relacionado com o coronavírus parece não ter outra explicação senão através da psicologia de massas. (Em Hong Kong, há cerca de um mês, o pânico já era tal que papel higiénico foi roubado à mão armada.) Artigo da CNN no passado dia 9 dá cinco razões para o fenómeno. As redes sociais sem dúvida facilitam a mimetização de comportamentos e a propagação de pânico à escala global à velocidade da luz. Para uma pequena história de fenómenos semelhantes, clicar aqui.

No Business Insider pode ler-se uma não menos interessante descrição da situação sob uma perspectiva de mercado. Bruce Lee, na Forbes, diz o que toda a gente no fundo sabe: a procura desenfreada de papel higiénico não se fundamenta em recomendações de especialistas, nas entidades dos estados, nem no risco de que o papel higiénico escaceie durante a epidemia, mas nota como o tiro pode sair pela culatra: "this situation can be a bit like poop in a toilet that’s being flushed: a vicious cycle. If you see others hoard toilet paper, that may in turn may make you [sic] worried that panic, regardless of whether it is justified, will lead to actual shortages." Além do pânico geral, o problema é composto pela confusão entre escassez de um produto no supermercado e escassez na produção e/ou distribuição do mesmo produto. Esta última, que é a única que justificaria razoavelmente este tipo de procura, é um cenário que não se antevê. Entretanto, a escassez circunstancial de papel higiénico já fez disparar a venda de bidés. 

Por isso, o melhor mesmo é encarar a situação com algum humor. Isto é o que o jornal australiano North Territory fez no dia 4 de Março ao imprimir diversas folhas de papel higiénico no próprio jornal. Segundo um tweet do próprio, as vendas da versão impressa do jornal aumentaram em cerca de 17%. Para aligeirar a situação, também há que ver este excerto do Seinfeld: